Venda de Caminhões Elétricos é uma Realidade no Brasil?

Para a indústria, caminhões elétricos nas grandes cidades serão realidade antes mesmo de carros elétricos.
Uma dessas pessoas é Sergio Habib, responsável pela Jac Motors no Brasil. A empresa, aliás, mudou seu foco no país algumas vezes – de carros populares importados, para a produção nacional, depois para SUVs, e, agora, finalmente para veículos elétricos. O iEV 1200T da Jac Motors chega como pioneiro, mas não está sozinho nesse mercado. Desde 2017, a Volkswagen desenvolve e testa seu caminhão elétrico, o e-Delivery. Rodando por São Paulo em parceria com uma empresa de bebidas, começa a ser produzido em Resende (RJ) no final deste ano – e, por isso, será o segundo a chegar às ruas.
4 FATOS IMPORTANTES SOBRE O 1º CAMINHÃO ELÉTRICO À VENDA NO BRASIL:
1. Pode rodar 250 km com uma recarga, que custa, em média, R$ 50
2. O preço, de R$ 305 mil, é, em média, R$ 120 mil mais alto do que rivais a diesel
3. Sua proposta é de fazer entregas urbanas, rodando cerca de 100 km por dia
4. Nesse caso, o investimento extra deve se pagar em 6 anos, quando a idade média da frota de caminhões leves é de 13,9 anos
No entanto, E-Delivery e iEV 1200T não são concorrentes diretos. Enquanto o Volkswagen tem peso bruto total de 14 toneladas, além de uma futura versão de 11 toneladas, o Jac tem PBT de 8 toneladas, e possibilidade de uma configuração de 3,5 toneladas.
Nessa corrida de mercado e pioneirismo do país, a VW Caminhões e Ônibus confirmou de forma oficial a venda das primeiras 100 unidades do caminhão elétrico e-Delivery à Ambev. Os veículos serão entregues no segundo semestre de 2021 e utilizados no serviço de distribuição de bebidas com emissão zero da empresa. O acordo faz parte do compromisso da companhia de ter 1.600 caminhões elétricos da marca alemã na sua frota parceira até 2023.
MENOS POLUIÇÃO Nas grandes cidades do mundo, o alerta para a redução de emissões poluentes já é uma realidade, dezenas delas já implantaram as chamadas “zonas de baixa emissão”, com limites cada vez mais rígidos de poluentes. Com isso, muitos caminhões a diesel acabam sendo proibidos de rodar, obrigando as fabricantes a oferecerem mais opções limpas – como elétricos. Alguns exemplos são Londres, Paris, Barcelona, Berlim e Tóquio.
O QUE MUDA NA VERSÃO DIESEL X ELÉTRICO? Quem está acostumado a dirigir um caminhão a diesel não deverá ter grandes problemas para se acostumar com um elétrico. Na cabine, a maior diferença é a alavanca para seleção de marchas – a mesma usada no iEV40. O iEV 1200T não tem marchas, como quase todos os veículos elétricos. É preciso selecionar entre drive e ré, além da posição neutra.
MAIS BARATO Devem ser considerados os custos de manutenção e combustíveis, aqui fornecidos pelas fabricantes e pela Agência Nacional do Petróleo, a ANP, respectivamente.
Seguindo esse raciocínio, para um caminhão leve a diesel, cada quilômetro rodado custa entre R$ 1 e R$ 1,05, enquanto o caminhão elétrico o valor total do km rodado varia de R$ 0,23 a R$ 0,33, cerca de 5 vezes menos do que em um similar a diesel, de acordo com as contas da Jac.
As contas mostram que, em alguns anos, a diferença no valor de compra se paga, considerando custos mais baixos de manutenção e recarga com energia. E, o mais importante, isso acontece antes da idade média para troca da frota.
Fonte: globo.com, uol.com.br